No âmbito do Dia Internacional da Mulher, o Agrupamento de Escolas de São Pedro da Cova partilha com toda a comunidade educativa uma investigação realizada pelos alunos do 9.º ano na disciplina de Educação Tecnológica.
Sob o tema "O Futuro das Carreiras e os Estereótipos de Género", os nossos alunos analisaram as barreiras invisíveis que ainda condicionam as escolhas profissionais de rapazes e raparigas. O resultado final é o documento em anexo: "O Mundo Segundo Mafalda: Questionando o Teto de Vidro", uma abordagem criativa e científica sobre o estado da igualdade no mundo do trabalho.
O trabalho desenvolvido pelos alunos destaca pontos cruciais que todos devemos refletir:
- O Viés Começa Cedo: Num exercício real, realizado em diversos países, em 66 desenhos de profissões como "bombeiro" ou "cirurgião", apenas 5 eram mulheres. A perceção de competência é influenciada pelo género desde a infância.
- O Teto de Vidro (Glass Ceiling): Esta barreira invisível impede que mulheres qualificadas alcancem cargos de topo. Na Medicina, por exemplo, embora as mulheres sejam 41% do corpo docente, apenas 19% chegam a Diretoras de Faculdade.
- Segregação Horizontal: Ainda existe a tendência de associar homens a funções "criativas" ou de risco, enquanto as mulheres são maioritariamente direcionadas para funções de organização e cuidado.
- O "Duplo Turno" e o Burnout: As médicas sofrem mais de burnout (50.7%) do que os homens (38.2%), devido ao conflito entre o trabalho e as expectativas sociais de cuidar do lar.
- O Dilema dos Rapazes: O estudo revela que os rapazes sentem maior aversão a profissões ditas "femininas" por medo da desvalorização social e económica, embora essa resistência diminua se os salários forem mais atrativos.
Mudar as Estruturas, Não as Pessoas
A conclusão dos nossos alunos é clara: para um futuro mais justo, não precisamos que as mulheres peçam "licença para entrar". Precisamos de mudar a "fechadura" — ou seja, as estruturas sociais. Valorizar financeiramente o cuidado, desafiar estereótipos desde a escola e criar novos modelos de liderança são os passos essenciais para que o talento não tenha género.
"Não precisamos de pedir licença para entrar. Precisamos de mudar a fechadura."
A professora Adelina Silva.



















