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                                   “Um animal, um vírus, uma pandemia”





                Nesta sequência tudo começou na longínqua China. Não é a primeira vez e não vai ser a

         última. As mutações dos vírus, frequentes, fazem o resto. Começou insidiosamente e a globali-
         zação conduziu a isto. A comunidade médica e cientifica mundial nunca esteve tão focada e uni-

         da para tentar encontrar uma solução para a atual pandemia pelo Sars-Cov-2. São organizadas
         regras de higiene, de segurança alimentar, preconizado o confinamento. Sabemos que a propa-

         gação por contacto, por inalação e pela alimentação acontecem com facilidade. Impõe-se o dis-
         tanciamento social, difícil de manter muitas vezes, sem sentido para muitos que não veem o ini-
         migo, mas ele anda aí a provocar doença, morte e também saudade, muita saudade, por não se

         poder beijar os pais, os filhos, os netos… não se poder conviver com os amigos…

                Na rotina clínica diária muito mudou: proteção individual, com o que isso acarreta de des-
         conforto, mas de todo necessária, maior ainda nas equipas que estão na primeira linha de con-

         tacto, que estão muito expostas e já a pagar um preço muito elevado no esforço de tentar salvar
         os doentes; consultas, presenciais de rotina ou programadas, anuladas ou só realizadas em ca-

         sos  de  extrema  necessidade;  receio  de  levar  para  casa  a  doença  pela  exposição  a  pessoas
         eventualmente portadoras do vírus da Covid-19; lidar com o medo e incerteza dos doentes pe-

         rante a pandemia, com a sensação de desconforto que manifestam pelo aparente abandono do
         seu médico de família com quem sempre contaram, mas que podem e têm contado através de

         contacto telefónico, e-mail ou outro.

                Estamos preocupados com o desconfinamento que aí vem porque vai dar uma sensação
         de falsa segurança; o tempo irá melhorar e levará as pessoas a conviveram mais, a saírem de

         casa, a esquecerem que o perigo espreita a todo o momento. Aflige sobretudo aqueles que não
         têm cuidado nenhum, pondo em perigo a sua saúde e a dos outros. Os casos, provável e lamen-
         tavelmente, vão aumentar.


                A solidariedade notou-se bem nesta crise, a Junta de Freguesia fez muito e a indústria
         farmacêutica também, para a nossa Unidade de Saúde. De louvar o esforço de reconversão de

         várias indústrias para acudirem a esta crise. Fizeram muito, bem e depressa.

                Não façamos asneira: ficar em casa sempre que possível, proteger-nos e aos outros, não
         esquecer as regras.



                                                                      Dr. Inácio Monteiro

                                                    Médico da Unidade de Saúde de S. Pedro da Cova







         GIZ NEGRO / Jornal Escolar                                                                                                                                                                                     4
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