Page 3 - JORNAGIZNEGRO _MAIO2020
P. 3
#maio2020
Globalização & saúde pública
É no mínimo curioso. Ou talvez nem por isso.
Diferentes entidades e, neste caso em particular, algumas personalidades de carisma interna-
cional parecem ter um dom, tendo profetizado a guerra invisível que a humanidade trava desde finais
de dezembro.
É o caso de Barack Obama, o anterior presidente dos Estados Unidos da América, que em
2014 alertava para uma situação um tudo-nada semelhante à que agora vivemos: “É muito provável
que chegue uma doença que se transmita pelo ar e seja mortal", dizia-nos.
Bill Gates, fundador da Microsoft, também parece ter um dedo que advinha. Estávamos em
2015 e o multimilionário dizia-nos: “Se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próxi-
mas décadas é muito mais provável que seja um vírus altamente contagioso do que uma guerra. (…)
Não estamos preparados para a próxima epidemia.”
As pesquisas sugerem que personalidades de áreas diferenciadas, (re)conhecidas internacio-
nalmente ou nem por isso, têm alertado para a necessidade das Nações mundiais investirem na cria-
ção de infraestruturas capazes de dar resposta a eventuais crises de saúde pública globais, nesta
“aldeia global” que é o nosso Planeta.
A Covid-19 demonstrou que a segurança na saúde e a segurança internacional não são do-
mínios opostos. Dotar os sistemas de saúde de meios técnicos e humanos, capazes de combater o
inimigo comum da humanidade, é investir na segurança de um mundo que “encolheu” as distâncias
e aproximou as Nações.
Num mundo globalizado e sem fronteiras, caracterizado por uma melhoria generalizada do
poder de compra e aumento dos níveis de desenvolvimento, as fragilidades das Nações são cada
vez mais visíveis e as repercussões de uma fatalidade são transversais, afetando a sociedade no
seu todo. É precisamente pelos efeitos transversais desta catástrofe atual que a humanidade se de-
ve unir, instituindo compromissos externos e prioridades internas.
Não é apenas a economia, as finanças, a educação e cultura, a política, … que travam esta
luta contra o SARS-CoV-2. É a sociedade no seu todo.
À sociedade impõe-se a salvaguarda do futuro das crianças e jovens de todo o mundo.
À sociedade impõe-se que as lutas pelo poder assumam o seu real destaque: irrisório. Impõe-
se dar primazia à humanidade para que ela própria cumpra o seu papel de Ser Social.
No meu tempo de vida nunca pensei viver uma catástrofe desta natureza e amplitude. Mas a
humanidade reinventa-se, adapta-se e aprende.
Por agora, estamos a aprender a conviver com o novo coronavírus para que, enfim, tudo pos-
sa ficar bem.
Prof.ª
Maria Anjos Esteves
GIZ NEGRO / Jornal Escolar 3

