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                                         Globalização & saúde pública

                É no mínimo curioso. Ou talvez nem por isso.

                Diferentes entidades e, neste caso em particular, algumas personalidades de carisma interna-
         cional parecem ter um dom, tendo profetizado a guerra invisível que a humanidade trava desde finais
         de dezembro.

                É o caso de Barack Obama, o anterior presidente dos Estados Unidos da América, que em
         2014 alertava para uma situação um tudo-nada semelhante à que agora vivemos: “É muito provável
         que chegue uma doença que se transmita pelo ar e seja mortal", dizia-nos.

                Bill Gates, fundador da Microsoft, também parece ter um dedo que advinha. Estávamos em
         2015 e o multimilionário dizia-nos: “Se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próxi-
         mas décadas é muito mais provável que seja um vírus altamente contagioso do que uma guerra. (…)

         Não estamos preparados para a próxima epidemia.”
                As pesquisas sugerem que personalidades de áreas diferenciadas, (re)conhecidas internacio-

         nalmente ou nem por isso, têm alertado para a necessidade das Nações mundiais investirem na cria-
         ção de infraestruturas capazes de dar resposta a eventuais crises de saúde pública globais, nesta
         “aldeia global” que é o nosso Planeta.
                A Covid-19 demonstrou que a segurança na saúde e a segurança internacional não são do-

         mínios opostos. Dotar os sistemas de saúde de meios técnicos e humanos, capazes de combater o
         inimigo comum da humanidade, é investir na segurança de um mundo que “encolheu” as distâncias

         e aproximou as Nações.
                Num mundo globalizado e sem fronteiras, caracterizado por uma melhoria generalizada do
         poder de compra e aumento dos níveis de desenvolvimento, as fragilidades das Nações são cada

         vez mais visíveis e as repercussões de uma fatalidade são transversais, afetando a sociedade no
         seu todo. É precisamente pelos efeitos transversais desta catástrofe atual que a humanidade se de-
         ve unir, instituindo compromissos externos e prioridades internas.

                Não é apenas a economia, as finanças, a educação e cultura, a política, … que travam esta
         luta contra o SARS-CoV-2. É a sociedade no seu todo.
                À sociedade impõe-se a salvaguarda do futuro das crianças e jovens de todo o mundo.

                À sociedade impõe-se que as lutas pelo poder assumam o seu real destaque: irrisório. Impõe-
         se dar primazia à humanidade para que ela própria cumpra o seu papel de Ser Social.
                No meu tempo de vida nunca pensei viver uma catástrofe desta natureza e amplitude. Mas a

         humanidade reinventa-se, adapta-se e aprende.
                Por agora, estamos a aprender a conviver com o novo coronavírus para que, enfim, tudo pos-
         sa ficar bem.










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                                                                                          Maria Anjos Esteves

         GIZ NEGRO / Jornal Escolar                                                                                                                                                                                     3
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